Rádio Reverberação

domingo, 5 de agosto de 2012

O desafio biográfico: uma entrevista com François Dossê


Debate: A biografia é um gênero que durante muito tempo foi deixado de lado pela escrita da história em espaços acadêmicos, mas segundo Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves ela "resistiu e triunfou". Segundo a historiadora, o início do século XXI foi marcado por um crescimento de obras que se preocupam com as biografias, mas não apenas como um relato de vidas, mas como problema histórico. Benito Bisso Schimidt, por sua vez, tem pensado as formas de se trabahar com a biografia no campo da historiografia levando em consideração a construção do tempo histórico, em suas dimensões diversas, compreendendo as experiências homens e mulheres do passado e à escrita biográfica. Propõe que articular na narrativa as múltiplas temporalidades é o problema daqueles que querem escrever uma vida, se esvaziá-la de sua densidade histórica. Compartilhamos aqui uma entrevista de François Dossé, na ocasião do lançamento de seu livro "O desafio biográfico" (2009), em que ele discute os desafios para o historiador em escrever sobre a vida de alguém sem apenas descrever fatos sobre o biografado. Este sem dúvida é um gênero sofisticado e, que a cada dia tem fomentado importantes debates entre os historiadores.

E você, quais são suas impressões sobre o fazer historiográfico e a escrita biográfica?

sábado, 28 de julho de 2012

Café mexicano


Ingredientes:


60 ml de café expresso

30 ml de tequila

quanto baste de chocolate meio amargo em raspa(s)

quanto baste de canela em pau

As velhas pessoas...


AS VELHAS PESSOAS sempre trazem um sentimento ambíguo quando por acaso, ou nem tanto, nos encontramos novamente. As velhas pessoas nos despertam uma felicidade por nos proporcionar mais algumas horas de conversa e de atualizar a ficha, mas ao mesmo tempo as pessoas velhas carregar o poder da tristeza por fazer daqueles momentos apenas episódios rápidos de nossa vida, e de nos fazer lembrar dos tempos de outrora que só depois de muito tempo vemos que não é possível reconstituí-los. Mas quando as velhas pessoas se encontram nos velhos lugares devolvem o brilho que mudou de foco. Ao mesmo tempo em que é esquisito andar pelas ruas e cumprimentar três ou quatro que você não via há anos, também é muito bom por trazer imediatamente à mente fragmentos de nosso passado que foi muito importante para o nosso crescimento. Não podemos nos esquecer que, assim como Marc Bloch nos disse, somos homens de nosso próprio tempos, vivemos um espaço de experiência e horizontes de expectativas construídos a partir de nossa realidade e temos que ter isso em mente... se lamentar pelo passado que já passou não tornará o presente melhor; são momentos diferentes, outros passados estão alojados no futuro e é pra isso que vivemos, para que o pretérito seja infinito. Mesmo assim, quando trombamos com as velhas pessoas outras tantas vem à mente, tanta coisa que coisa que a gente fez ou deveria ter feito, ou talvez não devesse. Esse é o lado humano da história, isso é a vivência da história. A história escrita, aquela acadêmica é outra, não tem nada a ver com isso... a escrita da história é uma espécie de resposta ao nosso mundo, mas sentir a história e os efeitos que ela tem na gente, e digo de nossa história vivida, nossa experiência no mundo, isso inevitavelmente nos angustia sobremaneira. Esbarrando na rua com o passado que anda, fala, come, bebe cachaça é que nos faz dar conta de que nossa passagem no mundo não vale absolutamente nada sem essas velhas pessoas que vem e vão à nossa revelia.

terça-feira, 22 de maio de 2012

A falência da imprensa (Parte 2)

Mais uma vez utilizo este espaço para tecer algumas críticas ao jornalismo brasileiro. Não tenho nada contra a profissão nem mesmo contra os profissionais, muito pelo contrário. Uma das minhas maiores fontes documentais são jornais, e hoje eu conheço estudantes de jornalismo que são pessoas muito boas e competentes. Mas como em todas as profissões sempre tem um grupo que se destaca pelo mau serviço prestado a sociedade. Na História podemos encontrar um monte, e no jornalismo também.

Assista o vídeo abaixo:


Com toda certeza esse é um grande exemplo do que há de pior na televisão brasileira hoje, e que possuí um enorme espaço na grade de programação nas principais emissoras de TV aberta. A ordem do dia é explorar a desgraça alheia, menosprezar o indivíduo e vender em cima disso. Uma análise de caso. Essa repórter ou apenas uma mulher que faz o papel de repórter. Fica de plantão na porta de uma delegacia pronta para filmar e “entrevistar” um suspeito de cometer um crime. A vítima é um rapaz aparentemente de baixo poder aquisitivo, que é detido, a princípio, por furto – crime pelo qual ele NÃO nega a autoria -. Sem nenhum tipo de prova contundente a mulher o acusa de estuprador. O suspeito, então, nega a acusação e se sente extremamente envergonhado por tal acusação, e chora ao se defender e apelar para que sua família intercedesse por ele... o que é um prato cheio para que os “produtores” do “programa” inserisse uma vinheta com os dizeres: “Chororô na delegacia: acusado de estupro alega inocência”. Sem contar o escárnio da mulher para com o acusado, ridicularizando-o por dizer que exame de próstata é aquele realizado para saber se uma mulher foi estuprada ou não, tira sarro de sua baixa instrução.

Não estou aqui para defender a inocência do cara ou não. O que está em jogo aqui é o efetivo papel da mídia no que tange ao acesso de informação para a população. O ato de reportar uma notícia, de incitar a competência da reflexão dos telespectadores frente ao acontecimento é totalmente deixado de lado nesse tipo de jornalismo sensacionalista. O foco é único, o de tripudiar sobre a tragédia. O criminoso deve ser preso e pagar pelos seus atos de acordo com os preceitos da lei. Mas, uma emissora de TV despender horas de sua programação para notificar esse tipo de acontecimento é patético. Hoje estamos enfrentando uma série de eventos políticos e sociais de extrema importância, tais como os escândalos políticos envolvendo “grandes” nomes da política nacional e empresas midiáticas de larga circulação, bem como 41 universidades federais em greve; mas esses problemas perdem espaço para uma jornalista estúpida rindo de um indivíduo já preso, ou para a bombástica revelação da Xuxa, sobre o fato dela ter sofrido abusos sexuais na infância, ou seja, há 40 anos.


Não apenas isso. Christina Rocha e seus “Casos de Família”. O que é aquilo? A primeira vista parece ser um programa com “conflitos” armados de tão incríveis e absurdos que são. Mas a armação perde espaço para a exposição das pessoas que estão envolvidas, bem como pela forma que é explorado pela televisão. Sem sombra de dúvida discutir temas familiares de extremo constrangimento em rede nacional não é a coisa mais decente de se fazer. Vários grupos lado a lado discutindo assuntos absurdos perante a uma plateia que está o tempo todo “julgando” os atos daquelas pessoas, tendo a apresentadora como uma espécie de mediadora que emite opinião o tempo todo e no final tem uma devolutiva de um psicólogo que traça um perfil dos participantes... tudo isso intercalado por uma série de propaganda dos mais variados produtos inúteis ao ser humano normal. A dignidade do ser humano é toda jogada no lixo.

Programas do Ratinho e do Leão seguem a mesma linha de um sensacionalismo e da exploração do ridículo que é constrangedora. É uma confusão de elementos, que misturam crítica policial, com casos de família, vida de pseudocelebridades, com musicais bregas e tudo que de mais bizarro que se possa ser transmitido em um programa televisivo.

Tirar esses programas do ar soaria como uma espécie de censura, o que deve ser evitado ao máximo. O direito de opinião deve ser respeitado acima de tudo. No entanto, há certo tipo de manifestação que foge ao bom senso, e sem dúvida Datena e Cia estão entre eles. A televisão não é lixo, e jornalismo não é simples entretenimento. As programadoras viverem de pão e circo é degradante. Além de expor a vida de brasileiros e brasileiras, ganhar com a tragédia alheia, ainda fere o senso de bom gosto do cidadão que está assistindo TV, que a tem como uma válvula de escape para a vida cotidiana que já é tão estressante.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Quais são os limites da responsabilidade?


Marcha pela Educação, Ouro Preto-MG (17/05/2012)

Quais são os limites da responsabilidade? Quando nós, como agentes, devemos intervir em nossa realidade e assumir posturas que podem definir o destino de alguma coisa? Em muitos aspectos do cotidiano manifestar-se de forma isenta e distanciada é a melhor forma de se mostrar. Tecer opiniões é uma das capacidades mais fáceis do pensamento humano. A gente fala o que pensa e tá bom, nos posicionamos frente a um problema qualquer. Na maioria das vezes se cobra para que o outro faça o mesmo. Sempre é muito grande a indignação com relação àquele que sempre fica em cima do muro, ou que simplesmente ignora a discussão. Criticar o alienado é fácil. Omitir um juízo de valor positivo a problemas sociais, quando eles não nos atingem, também não é das coisas mais pesarosas de fazer. Coletividade, união e força! Esse é o discurso da democracia, todos juntos somos fortes. Até que chega o momento em que se precisa fazer valer aquilo que publicamos no Facebook para nos autopromover. Ao despertar um problema que realmente afeta a coletividade esse discurso começa a se diluir ao passo que se aproxima de nossa realidade. O coletivo quando afeta os interesses individuais começa a ser tratado não mais como um direito, mas como um retrocesso, como estagnação ou simplesmente como algo prejudicial. Temos medo de por a cara à tapa e assumir a responsabilidade de ir à luta e defender interesses que imediatamente nos prejudicam, mas que no futuro trará benefícios, mas que poderão ser questionados de acordo com a realidade daquele momento. Somos peça da sociedade. Ela não existe sem a gente, bem como a gente não existe sem ela. Vamos sempre nos acovardar perante aos problemas que batem a nossa porta? Pensaremos apenas em nossas causas particulares e esquecer o bem comum? Ninguém é obrigado a concordar com isso, todos têm o direito ao egoísmo, eu em muitos casos também sou. Mas quando se é, tem que deixar claro isso. Quando formos fazer propaganda de nós mesmos temos que aprender a guardar a demagogia na gaveta e dizer que só importamos conosco, que o interesse geral não importa e que queremos apenas nos beneficiar. Isso mais honesto, essa é a atitude um ser humano responsável. O covarde se omite, defende algo que não acredita, se voluntaria na alienação. Estamos passando por uma tempestade. Escolha se quer ir para o mar ou ficar no continente. Seja qual for a sua escolha FIQUE, seja responsável e honesto; e quando a tempestade passar se mantenha por lá. Os princípios de um homem formam o seu caráter.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Guia de como fazer café

A imagem que compartilho abaixo é genial. Um bom quadro com diversas formas de preparar um bom café. Sugiro que ela seja testada junto com os amigos, em uma conversa agradável na sala e em tempos de calmaria. Tomar café sozinho pensando na vida é gostoso, mas com uma boa companhia é sempre melhor.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Macchiato



O Macchiato, que significa algo “manchado”, é um Espresso com uma camada de leite vaporizado. À primeira vista, é muito parecido com um Cappuccino pequeno, mas, apesar dos ingredientes serem idênticos aos usados na confecção do Cappuccino, um Macchiato tem um sabor muito mais forte e aromático.

Ingredientes:

1 dl de leite;

grãos de café;

Açúcar e/ou cacau em pó (dependendo do gosto);

Chávena para Espresso (cerca de 70 ml).


Preparação:

Vaporize o leite directamente na chávena do espresso;

Coloque a chávena debaixo da saída do café e tire o espresso;

Polvilhe com cacau em pó.