Rádio Reverberação

quarta-feira, 23 de março de 2016

Nos escombros da política todos se soterram

Foto: Ricardo Moraes, Reuters - (25/10/2014)


A ferida político-social escancarada no Brasil após a vitória legal e democrática da presidenta Dilma Rousseff pode ser fechada? Os posicionamentos políticos dos cidadãos estão se tornando cada vez mais intensos e falsamente polarizados  sem ao menos termos a real dimensão desses polos... e velhos conceitos estão sendo empregados com convicção e o habitual esvaziamento de sentido: direita e esquerda; golpistas e legalistas; tucanos e petistas (parece que só existem dois partidos no Brasil), etc. Discursos de ódio têm tomado as ruas, os bares, os concertos de heavy metal com muita naturalidade... espaços públicos onde a ofensa onde até pouco tempo existia mas era contida e envergonhada, agora é mais explicita e corajosa... Há também os arautos do liberdade, paladinos da democracia que para acreditarem demais nas instituições e acabam por defender o indefensável... convenhamos é necessário. O ensaísta uruguaio Hugo Achugar já apontou que as gerações pós Ditadura Militar (ele fala sobre o caso de nossos vizinhos, mas arrisco dizer que não somos diferentes), ao contrário da geração pré Ditadura acreditam muito mais na real possibilidade de seu retorno, do que os mais velhos acreditam um dia ter uma ditadura daquele porte. Em hipótese alguma acredito no retorno aos tempos sombrios, mas ao ver a tentativa de golpe jurídico-parlamentar em voga é de se imaginar que nosso futuro será duríssimo. Estou lendo e ouvindo muito sobre o acovardamento do STF, que tem força para julgar uns e não outros. Não acho que o STF esteja atuando de forma covarde – de maneira alguma -, acredito que esteja agindo de má fé. O Supremo tem condições de garantir o funcionamento do governo ao mesmo tempo que pode deixar a Lava-Jato continuar, desde que seja conduzida de maneira que não provoque incêndios e que seja de fato justa. Mas enfim, do juiz Sérgio Moro, o passe-livre (esse tem) do deputado Eduardo Cunha, bem como o coquetel molotov chamado PSDB têm impossibilitado o funcionamento do já previamente complicado governo de Dilma. Incitado pela Globo e outros grandes meios de comunicação a onda fascista tirou as camisas verdes (agora com detalhes em amarelo) do armário. Atualmente pode ser extremamente perigoso sair de camisa vermelha na rua e levar uma pedrada na nuca... é preciso escolher bem o que falar e em que lugar. As manifestações populares (algumas nem tão populares assim) têm gerado uma tensão que ao explodir pode instaurar um estado de violência perigosíssimo. As famílias que em 2015 até conseguiram almoçar juntas no natal, esse ano pode ser que não consigam... e depois? E se Dilma cair? A velada paz brasileira voltará? Independentemente do que escolher... quando o muro for demolido os escombros cairão dos dois lados.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Vermelho é a cor mais perigosa



Assim como tantas outras coisas, uma simples cor pode, em determinada situação, se tornar um vigoroso símbolo. As cores da bandeira nacional, de um estilo musical, da sinalização de trânsito, do escudo do time do coração, etc... as cores são mais do que cores. Com elas pintamos o mundo, de tons variados de acordo com nosso estado de espíritos e paixões. Em tempos sombrios um feixe de luz é o suficiente para iluminar uma câmara escura e projetar na parede imagens que não dão a noção do que está lá fora. Mas afinal, o que está lá fora? Nas disputas pelas cores em nossa atual e insana guerra política o verde e o amarelo, motivos de orgulho esportivos e nacionalismo seletivo, é diariamente banalizado ao ser mobilizado pelo um enorme grupo de pessoas que ao se posicionarem em um perigoso lado político usam as cores como um escudo da moral, dos bons costumes e da idoneidade. Em contraposição o vermelho, a cor de tudo que há de mau no mundo, o pomo da discórdia a ponto de até bebês (sim, crianças... os malvados bebês de Rosemary) serem hostilizadas por que suas mamães quiseram enfeitá-las com os desenhos da Minnie e Homem-de-Ferro (ambos terríveis comunistas). O vermelho que traz em si mesmo todo o colorido, a cor do nosso sangue, do desejo e da paixão, a mais sedutora e que desperta no ser humano as mais profundas idealizações se torna ao mesmo tempo um sinal de perigo ao que ousam ostentá-lo em praça pública. A culpa é do vermelho, que ousou estampar a bandeira de um (de vários, na verdade) partido fundado por trabalhadores e que um dia ameaçou a ordem e o progresso instaurado pelos democráticos verde e amarelo. O outono chegou para anunciar o iminente e gélido inverno, que pode demorar décadas para passar... e o quente e aconchegante vermelho, o mesmo que poderia nos trazer um alento será o mesmo imã do medo e da violência. Pobre vermelho... não se preocupe, não deixarei você mofar no fundo do armário.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

A polêmica PEC171/1993 - Redução da Maioridade Penal



O problema da redução da maioridade penal é muito mais complexo do que simplesmente comprarmos o argumento da ditadura em que a máxima do bandido bom é bandido morto. Reduzir a maioridade penal não diminui o crime. O Estado altamente violento, como é o Brasil, não assegura políticas de segurança pública capazes de coibir a criminalidade sem apelar para o rigor da punição. No discurso do deputado Ivan Valente na sessão da câmara na madrugada de ontem pra hoje durante os encaminhamentos para a votação ele disse algo, pra mim, emblemático, algo do tipo: Um Estado que não acolhe e não protege o cidadão não tem a capacidade de punir. Essa é a verdadeira questão, e está longe de passar por demagogia. Demagogia é o Nilson Leitão subir no parlatório, iniciar seu discurso pró-moralidade e dizer que a questão da PEC171 não é partidária e terminar dizendo que a culpa é do PT (chavão padrão), sem contar o papo de que “não gostaríamos de estar aqui votando a redução da maioridade penal, mas em nome da família brasileira voto sim!!” isso é demagogia. 

O deputado Eduardo Cunha colocou isso em pauta na Câmara por questões partidárias sim! O que não é saudável para o debate complexo como esse. A primeira derrubada da PEC171 deveria reabrir as discussões para a reforma do Estatuto da Criança e do Adolescente, repensar as formas de inclusão dos jovens e adolescentes nas escolas e centros educativos, prevenir que entrem na marginalidade a partir de medidas sócio-inclusivas. Os que são, porventura, recolhidos às casas de reabilitação devem passar por um processo mais moderno de re-inserção na sociedade. A Fundação Casa não pode ser um mini-presídio. Essa questão é outro problema. Há de se discutir o sistema carcerário, que é superlotado e o sistema judiciário não dá conta (pelo inchaço do código penal) de controlar sua comunidade carcerária. Encher de adolescente em presídios vai agravar ainda mais o problema. E depois que saírem da cadeia? Qual é o acompanhamento do Estado? Nenhum!! o Estado pune e abandona!! A sociedade o que faz? Simplesmente o que sempre fez... finge que não é com ela. A questão da criminalidade é um problema sério, complexo e constante, e que não pode ser debatido pela sociedade civil apenas quando lhe convém. É perigoso, também, usar da representatividade e deixar para um Congresso conservador, raivoso e vingativo decidir tal questão. Ontem na sessão da câmara isso ficou claro. O legislador não pode votar por mera subjetividade e paixão. A “Casa do Povo” deve servir ao povo, e o que os 303 que votaram “sim” ontem, certamente não estão. Reduzir não resolve. É necessário por em prática que se pede há anos... o Brasil precisa de uma reforma geral: política, educacional, penal, etc.

Cadeia não é exemplo... se fosse não teríamos 70% de reincidência. Como foi lembrado pela própria deputada Jandira Feghali ontem... não é votar contra a reclusão, mas repensar e adequar as formas de reclusão. Não sou contra em prender menor infrator, essa não é a questão real. Mas sou contra métodos arcaicos de punição. Nosso código penal é de 1941. Ele é falho com adulto e será desumano com adolescentes. Os centros reformatórios precisam ser um ambiente sócio-educativo e de re-inserção na sociedade. Não um centro de tortura e medo, que não tem interesse em "salvar" ninguém. O moleque é preso... cumpre pena em presídio... não tem nenhum acompanhamento... é solto (se for solto, porque há milhares de casos de presos que já cumpriram suas penas, mas que ainda se encontram encarcerados)... completamente desamparados pelo Estado e pela sociedade civil... o que acontece?? entra pra criminalidade novamente... de quem é a culpa? só dele?


Fala-se em cumprimento da justiça. Há uma tênue linha entre justiça e vingança. Justiça é talvez um dos princípios básicos de um estado democrático de direito. A justiça deve ser realizada em todos os âmbitos... justiça penal, social, e, porque não, intelectual. Ninguém em sã consciência ignora a dor das famílias que perdem seus entes queridos. Os debates ontem na câmara foram muito emocionados e inflamados. A deputada Keiko Ota inclusive estava vestindo uma camiseta de seu filho, assassinado em 1997 por dois adultos, sendo um policial (arauto da justiça) e defendia com “”lágrimas”” a redução da maioridade penal. Silas Freire ainda teve a coragem de minimizar (e quase desqualificar) a participação de um adulto em um estupro coletivo, no Piauí, porque havia a participação de dois menores, acusados pelo deputado de serem os mentores da ação e o adulto um “mero” cooptado. Critiquei a postura do deputado no Twitter e um de seus defensores me chamou de “PORCO PEDÓFILO”. A deputada Benedita da Silva, estuprada aos 7 anos sem qualquer direito de defesa, vítima também de uma sociedade injusta, defendia o contrário. 

Solidarizo-me sim com a dor das duas e de tantas outras vítimas por aí. Não há um desmerecimento em relação à dor das famílias, pelo contrário, não há humanidade ao virarmos as costas para essa realidade. O que não podemos ser ingênuos e desconsiderar que essas “comoções” são seletivas. Todos os dias casos de violência são registrados, e por quem vestimos camisetas brancas e saímos nas ruas pedindo paz? Certamente não é para todo mundo. Porque criança favelada quando é morta por policial, a primeira coisa que vem em nossa cabeça é: “se foi morto é porque era culpado”! Essas conclusões não podem ser feitas de maneira superficial. Concordo que nossos sistemas estão falidos, isso não há a menor sombra de dúvida. E é por isso a necessidade de uma reforma ampla e geral. Emendas constitucionais substitutivas... emendas aglutinativas que regridem os termos na constituição (e por isso são inconstitucionais) não devem ser, nesse caso grave e de interesse público generalizado, os meios últimos para a reforma. Estamos em meio a uma grande discussão sobre a PL6840/2013. Quais são os moldes para a escola e, principalmente, para o Ensino Médio. De que maneira os currículos devem ser reformulados, quais são os reais impactos da escola integral, como associais o espaço escolar com a vida social. Pensar uma nova escola e novos espaços de sociabilidade são as maneiras de se obter justiça. E isso tem que ser intimamente ligado a uma reforma do ECA e das medidas de reclusão de jovens infratores.

Encarcerando por vingança e se sensibilizar seletivamente pela dor de famílias que perdem pessoas que amam não resolve. Não há ironia na questão. Claro que essa ideia de que os jovens não podem ser presos e agem de forma criminosa alegando isso é revoltante. Compreendo esse tipo de indignação e não tiro o mérito disso. Não obstante, nossa ação civil não pode ser baseada nesse tipo de paixão. Em hipótese alguma desqualifico seus argumentos, eles são importantes para a promoção do debate, mas há muitos pontos que são oprimidos e que não podemos desprezar. Desculpe-me por essa postagem longa, confesso que não tenho muito mais para acrescentar, mas gostaria de deixar claro que não estou desprezando sentimento de ninguém. Eu como historiador e educador tenho um compromisso ético com a humanidade, e não me sentiria confortável convivendo comigo mesmo desprezando essa postura.

Desculpe-me se falei alguma besteira, mas é isso que eu penso hoje.

terça-feira, 10 de março de 2015

O xingamento à Dilma é um tapa na cara de toda mulher

Dilma, no dia 1 de março no Rio. / MARIO TAMA (GETTY IMAGES)

Todos nós temos o direito de indignarmos pelos desmazelos do governo, denúncias de corrupção, medidas impopulares com interesses partidários, etc. Mas nossas manifestações devem ser feitas a partir de uma série de dados, leitura e compreensão mínima do cenário político que vivemos. As manifestações desrespeitosas contra a presidenta Dilma no último domingo, articulada pela classe média de apartamento (e de casa também), tem mostrado que o conhecimento (talvez “educação” seja melhor) não é uma máxima verdadeira. No dia internacional da mulher, uma presidenta, mulher que venceu toda uma sociedade machista e patriarcal e se elegeu de forma democrática ao cargo de Chefe do Executivo Nacional, ao falar com a Nação, ser xingada aos berros por milhões de pessoas de “vaca”, “vagabunda”, “piranha”, e por aí vai é uma ignomínia. Ali não estava sendo desrespeitada a nossa Chefe de Governo e de Estado, estava sendo xingada uma mulher, um ser humano. Há poucos dias me manifestai aqui nas redes sociais dizendo que nunca fomos tão republicanos, mas a custa de quê? O avanço democrático gera o seu próprio antagonista. Estamos ainda hoje reproduzindo uma cultura política identificada por Oliveira Viana na década de 1930 onde ele identificava que no Brasil o povo não sabe diferenciar o cargo público daquele que o ocupa? Na minha Timeline hoje tinha muita gente (amigos de infância sobretudo) que vociferavam contra a Dilma... mulheres (sim,  mulheres) indignadas com o pronunciamento da presidenta (não tenho certeza se assistiram, deveriam estar batendo panela na varanda de suas casas) dizendo que ela não as representa. Outras diziam que era LAVAGEM CEREBRAL (pessoal assistindo muito o filme Laranja Mecânica) e que aquela “filha da puta” não deveria estar ali. Isso não é apenas histeria, desespero, revanchismo e ignorância... é a mostra que nossa sociedade pouco aprendeu com as desventuras da história de nosso país, principalmente das mulheres que o compõe. Pouco se aprende com a violência diária contra as mães de família em casa, meninas indo para a escola, mulheres em seus ambientes de trabalhos, travestis e transexuais sofrendo para ter uma vida digna. Cada xingo nas varandas e sacadas não foi direcionado para a Dilma apenas, mas como irrefutabilidade do machismo, foi um tapa em cada mulher no dia que simboliza a luta pela igualdade dos gêneros. Um retrocesso... uma pena!

quinta-feira, 5 de março de 2015

Nunca fomos tão republicanos

Montagem: Brasil 247

O noticiário político no Brasil nos últimos tempos tem ficado cada vez mais em evidência. Os intensos debates e disputas políticas, sobretudo as partidárias, revelam que nosso país está atingindo um patamar de seu período democrático em que múltiplas vozes de fato se fazem ouvir. No entanto, a coabitação de vozes não significa o entendimento entre elas. É saudável para a esfera pública que grupos distintos (ou não tão distintos assim) ponham suas cartas na mesa e estimulem o jogo. A instauração da “desordem” que tem por fim a contestação de possíveis discursos unilaterais, que podem levar ao autoritarismo, é um movimento que naturalmente faz valer as possibilidades de transformações do tempo e da política. Se temos um governo de situação forte é bom para o país que também tenhamos uma oposição igualmente forte. O que não podemos confundir, e usualmente confundimos, é que tais não devem se degladiar por tomada de poder movido por interesses meramente particulares em detrimento do bem do povo. Ser oposição não significa ser necessariamente o tempo todo contra, nem ser situação significa aceitar passivelmente quais atos impopulares. A sangrenta disputa entre Planalto x Congresso demonstra que as esferas que comandam o país travaram uma guerra interna que ultrapassa os interesses do país e colocam em xeque o processo de consolidação de nosso republicanismo democrático. Mesmo que os motivos sejam questionáveis, o resultado apertado das eleições presidenciais de 2014 é um indicativo de mudanças na cultura política brasileira. Não obstante, as manifestações pró-impeachment da presidenta Dilma é um ato meramente revanchista, irracional, e antidemocrático. É a ridicularização e infantilização de nossas próprias posturas políticas, que em boa parte da população contrária ao atual governo é guiada apenas por desinformações e mêmes compartilhados nas redes sociais. Hoje a cada 1 passo dado “para frente”, 10 são dados “para trás”. As novas oligarquias (as bancadas evangélicas, ruralistas, conservadoras, etc.), que são cada vez maiores, impedem que os nossos direitos sejam assegurados e se baseiam por interesses econômicos e ideológicos (muito questionáveis). Reforço a ideia que estamos nos tornando cada vez mais republicanos, mas sabemos ser de fato republicanos? A “desordem” democrática está se tornando “bagunça” escandalosa? A “divisão” do Brasil é boa, faz parte do amadurecimento político... mas quando nos jogamos uns contra os outros sem fundo minimamente racionalizável (não entrarei na discussão sobre sensibilidades 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Em qual Brasil queremos viver?


AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2014 têm sido significativas para mim. Historicamente sabemos que o PT e o PSDB sempre proporcionaram intensos debates, mostrando-se bem diferentes, sobretudo no início dos anos 1990, e que ao avançar dos anos 2000 as diferenças pareciam ser cada vez mais atenuadas. PARECIAM!!! Nos últimos anos, ainda, questionávamos se ainda é possível pensar em esquerda, direita, centro, etc. O descrédito com a política em nosso país fazia com que colocássemos tudo no mesmo saco, e ridicularizássemos os extremos. Os grandes partidos, encabeçados pelos dois supracitados é que de uma forma ou de outra é que concentram as forças ideológicas (vou usar essa palavra, não tenho outra) no país. No entanto, a positiva campanha de Luciana Genro do PSOL mostrou que existe sim possibilidades de se pensar de maneira diferente, de propor caminhos que de fato mudaria a cara do Brasil (nota-se que disse Luciana Genro, não Marina Silva). Não obstante, não é apenas de propostas boas que se faz política. Outros candidatos, os ditos “nanicos” ficaram de fora da linha de frente. Tirando os folclóricos candidatos Levy Fidélix, Everaldo e Eduardo Jorge, que apareciam na televisão, não tínhamos a oportunidade sequer de ouvir Zé Maria, Eymael, Mauro Iasi e Rui Costa Pimenta, candidatos de esquerda e direita.

Mas voltemos ao meu argumento inicial. Podemos dizer que o PT mudou de postura ao longo dos anos? Evidentemente que sim. Parafraseado o candidato da oposição, seria uma leviandade, não admitirmos isso, ou desserviço. O Brasil mudou, as formas de agir também precisariam de alguma forma mudar, mesmo não sendo da forma que a grande maioria esperava. Mas ao mesmo tempo, é de uma ingenuidade acreditar que em seu “adireitamento” (destaco novamente as ressalvas), o PT se tornara irmão de sangue do PSDB. Liberais por natureza, defensores de um estado mínimo, guardiões da saúde dos bancos (e dos cavalos); os líderes históricos da direita brasileira sempre deixou o povo em segundo plano. Educação, saúde, saneamento básico (alô São Paulo!!), moradia, qualidade de vida do cidadão. Essas entre outras coisas não eram prioridade dos tucanos. Estabilidade econômica?? Não! Mesmo com o plano real, que trouxe a ilusão de grande melhoria, passamos grandes períodos de crise nos anos 90, precisando recorrer algumas vezes ao FMI, aumento significativamente a dívida que já era grande. Mas veio o século XXI e o Brasil MUDOU!!! Com os governos do eterno presidente Lula e da atual candidata à reeleição ‪#‎Dilma13‬, o nosso país cresceu e junto dele as nossas esperanças de um futuro melhor, nas apenas de promessas, mas de reais possibilidades. Os programas sociais permitiram de milhões de famílias saíssem da condição de extrema miséria; que quase todas as crianças pudessem ir para a escola e sonhassem com a entrada REAL na universidade; o mercado se aqueceu gerando mais empregos (é a tal "pescaria" que costumam cobrar os contrários ao Bolsa Família); a casa própria deixou de ser um desejo, e passou a ser um planejamento; estamos deixando de ser endividados para sermos credores. O Brasil mudou, e pra melhor!! Há ainda muitos problemas a serem resolvidos, não vivemos ainda no Brasil ideal, mas diferente da era Fernando Henrique Cardoso, estamos a passos largos de chegar lá.

A campanha eleitoral deste ano tem apontado muito para o clareamento de posições. Há de um lado os apoiadores de um projeto social definido e democrático. Que tem realizado uma militância nos últimos meses baseados argumentos reais, dados de estudos, com respeito a si e ao povo brasileiro. Os apoiadores da #Dilma13 constataram que o Brasil está melhor, e quer contribuir para que fique ainda mais. É com espírito de solidariedade que se luta para um país para todos. Enquanto isso, os apoiadores do candidato da oposição, Aécio, não apresentam argumentos válidos. Apenas compartilhamento de memes esdrúxulos aquele mesmo papo "petralhas"; "fora PT"; "comunistas" (essa é dureza); entre outros. Não são desinformados, os dados estão aí... são adeptos ao desserviço, a desinformação, ao regresso. Uma militância agressiva, que fere a cidadania e inteligência do povo brasileiro. Esse ano estamos vivendo uma campanha eleitoral violenta. De um lado aqueles que querem o Brasil ainda mais forte, do outro lado aqueles que negam o avanço e sonham com o passado.

Domingo, dia 26 de outubro não podemos votar em um candidato que está na política a passeio. Temos que votar na candidata que mesmo não sendo carismática, cheia de pompa (afim, presidência da república é coisa séria) tem mostrado que é extremamente capaz de gerencial nosso país. Não teremos nenhuma revolução bolivariana (aquela loirinha do Alphaville foi bem engraçada), não corremos risco de perdermos a nossa democracia e liberdade, muito pelo contrário!! Com #Dilma13 vamos fortificar nosso republicanismo, e teremos a oportunidade de ver o Brasil crescer ainda mais e não temer mais o futuro catastrófico como foi o passado PSDBista! Há, como já destaquei, muitas deficiências... mas só com a continuidade do atual governo é que essas deficiências poderão ser sanadas. É nesse Brasil que estamos hoje que você quer viver, ou aquele "fantástico" (ou fantasioso) dos anos 90?

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Escrutínio do dia 26 de outubro de 2014

 
NO PRÓXIMO DOMINGO, dia 26 de outubro de 2014, eu e outros 142 milhões de eleitores escolheremos o presidente da república que governará nosso país pelos próximos 4 anos. Não considero apenas como um ato obrigatório de “cumprimento do dever”, mas um ato cívico de respeito a mim, aos meus pares, conterrâneos e à pátria. Está em jogo muito mais do que a figura política que administrará o Brasil, mas o tipo de país em que nós brasileiros queremos viver. Estamos evidentemente longe de estarmos no país mais desenvolvido do mundo, e ainda passamos por problemas notórias em diversas frentes (educação, saúde, distribuição de renda, corrupção, etc.), mas uma nação do tamanho do Brasil que passou 502 anos de sua existência preso nos grilhões de grupos expropriadores, não seria em 12 anos se tornaria a maior potência mundial. Porém, nesses últimos 12 anos o Brasil avançou e avançou muito. Cada vez mais deixamos a esperança romântica do futuro redentor para trás, e com os pés no chão vivemos categoricamente o presente. Presente este que parecia irreal em meus tempos de criança. O acesso à universidade e às escolas técnicas estão progressivamente mais democráticos; houve uma redução em dois terços da mortalidade infantil, cumprindo com antecedências as metas estabelecidas pela ONU; reduziu-se em um quarto a pobreza extrema no Brasil se comparado aos indicadores do início dos anos 1990,retirando pela primeira vez o país do “mapa da fome” mundial; isso foi possível pela ampliação dos programas sociais do governo que permitiu uma restruturação das famílias mais pobres, que puderam colocar seus filhos na escola, o que fez com que o número de crianças entre 7 e 14 anos matriculadas no ensino básico atingisse 97%, permitindo que seus país pudessem “pescar” com maior tranquilidade; entre uma outra série de melhorias que me faz cada vez mais acreditar em meu país, e na forma que ele é gerido. Já disse e repito, o fato de ser bem gerido não quer dizer que ele seja perfeito, e nem conseguiria ser. Governar um país requer muito mais do que uma boa retórica e um sorriso irônico no canto da boca. É necessário alguém que tenha firmeza (não mão-de-ferro),visão de futuro e espírito de presente, e a coragem de enterrar no passado aquilo que precisa ser superado. E nós como cidadãos brasileiros devemos nos unir para superar as máculas do conservadorismo, preconceito, desigualdade, desrespeito e atraso. Devemos contribuir para que nós e nossos filhos vivamos em um país onde o negro não seja expulso de uma loja ao tentar comprar um tênis para seu filho, que as mulheres não sejam rebaixadas, violentas e impedidas de controlarem seus corpos de acordo com seus diretos, que os homossexuais possam viver suas vidas calmamente com as pessoas que amam sem terem medo de sair às ruas ser agredidos por brigadas defensoras da moral e dos bons costumes; para que o Brasil seja de fato um país para os brasileiros, TODOS. Temos nossas diferenças regionais que devem ser respeitadas e, sobretudo, valorizadas. São pelas diferenças que vemos o quanto nosso país é culturalmente rico, e é a autoconsciência disso ajudará o nosso próprio progresso (com todas as ressalvas para o termo).
 
Por isso, neste domingo, dia 26 de outubro de 2014, eu voto na reeleição da presidenta Dilma para a manutenção de um governo que notoriamente tem trabalhado para o crescimento e fortalecimento do Brasil, consolidando o espirito democrático e republicano em que o país ao longo de sua história foi diversamente privado. Com a força do povo o Brasil alcançará a vitória e a possibilidade de uma positiva continuidade.