Rádio Reverberação

sábado, 5 de janeiro de 2013

.: MachadismO :. 1 ano!



Hoje o blog .: MachadismO :. completa um ano de existência. Essa é uma marca até legal. Ando meio displicente com as minhas publicações, fiquei bastante tempo sem mexer com ela e até mesmo não tenho produzido muita coisa original, mas isso não importa. O importante é que este é um dos meus melhores meios de desopilação. Escrever pro vento sempre foi uma coisa que me animou muito, sempre foi uma terapia. Agora que estou em uma fase de profundo estresse por conta da minha dissertação falar para o nada sempre alivia essa tensão. Espero poder fazer com que esse ano o .: MachadismO :. passe a ser lido pelas pessoas, e espero poder contribuir da forma que imaginei quando criei esse blog. Se existe algum leitor secreto aí muito obrigado. 


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A tênue linha entre o Público e o Privado


As noções de Público e Privado assumem, hoje, um substantivo espaço nos debates de caráter social, político e epistemológico. Elas assumem diferentes roupagens no que tange as tentativas de esclarecimento de tais categorias para a nossa contemporaneidade, visto que os horizontes de discussões acerca de suas operacionalidades são bastante amplos. A relação Público/Privado constitui uma espécie de agrupamento social em público, oferecendo aos caracteres individuais as melhores possibilidades de se imporem, assim como as opiniões individuais originais às melhores facilidades para se difundirem. O que se pode perceber é que atualmente o Público e Privado perderam suas linhas divisórias. Cada vez mais é difícil de perceber quando um termina e começa o outro, ou até mesmo em que medida um pode se fundir com o outro. Parece-me que nossa sociedade contemporânea não se preocupa mais com isso. A noção de Público é a que mais perde. Ela foi legada para a esfera do governo, aquilo que é do Estado é público, aquilo que não me atinge é público. O papel do homem na sociedade está cada vez mais individualizado, o que se quer é apenas executar as funções que nos são delegadas e mais nada, servir ao interesse coletivo não é mais um ato voluntário, e por vezes limita-se apenas em um sentimento verbalizado. A esfera Privada domina a vida do Homem, impondo seus interesses e anseios, e tentando a todo custo minimizar a força do Público. A tendência disso é piorar. O que está em jogo não é o “avanço” social, mas a “prosperidade” individual... “se for bom pra mim é bom pra todos” é a frase de ordem, não mais “se for bom pra todos é bom pra mim”, isso não existe mais. Em uma democracia representativa como a nossa isso é ainda pior, pois legamos a outro aquilo que nós mesmos deveríamos reivindicar, e não cobramos, ou se cobramos é apenas naquele momento em que uma ação nos prejudica. Cada um tem sua própria opinião (ônus da liberdade), e devem ser respeitadas; mas é lamentável aquelas que fecham os olhos para um bom maior e abre para particularidades apenas com o desejo da autossatisfação.

domingo, 23 de dezembro de 2012

a imprevisão do inesperado


O inesperado sempre acontece, e por isso que ele tem esse nome... bem conveniente. Com pouco ou muito impacto ele sempre deixa uma marca perigosa. Por não esperarmos o que vai acontecer é impossível escolher imediatamente as ferramentas que serão usadas. Planejamos dezenas de coisas, imaginamos as formas que iremos agir e o que fazer se uma coisa sair errada. O “errado” aqui não é a mesma coisa que “inesperado”, pois quando imaginamos aquilo que pode sair de nosso controle elaboramos alternativas para aquilo, mas para o que não esperamos ficamos de calça curta. Às vezes o inesperado é ruim, afinal quem nunca ouviu ou disse a famosa frase “merda acontece”? E acontece mesmo... nunca sabemos quando por um acesso de raiva iremos quebrar a torneira da pia da cozinha, ou em uma viadora dupla na porta quase tirar a maçaneta do lugar... definitivamente isso é pouco comum e inesperado... e pior, é uma coisa do mal... Mas o inesperado também pode ser bom... por vezes que achamos que nada vai acontecer ao andar pela rua e de repente achamos R$ 5,00 e vamos direto na padaria comer um pão-de-queijo e tomar uma Coca-Cola. As coisas que nos tiram de nossa zona de conforto são fundamentais para que paremos o que estivermos fazendo e pensar sobre os próprios caminhos que devemos seguir, se não isso ao menos nos forçam a por na balança aquilo que queremos planejar. Nós já sabemos que nosso futuro não é teleológico, lá no fim não está o comunismo... mas temos se seguir até ele sem saber quando a mesa vai virar, e isso é o mais divertido da coisa... o inesperado pode acontecer enquanto eu escrevo esse textinho idiota, posso ter uma epifania largar tudo que eu estiver fazendo, pegar um ônibus e ir pra outro lugar só pra encontrar outras coisas ou outras pessoas, que inesperadamente por acaso deixou uma marca perigosa que pode ser significativa ou não. O inesperado é um fantasma que assombra todos nós... por mais racionais e organizados que sejamos, merda acontece... para o bem ou para o mal. Não tem como prevermos nada na vida, mas nem por isso não precisamos ter metas, pois quando nossos planos são bem traçados o inesperado pode ser amenizado, mas nunca deixará de ser transformador... e quando nossa se transforma é sinal que ainda estamos nela, só esperando o próximo passo.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Nossa casa é o nosso lar



Tempos atrás eu estava pensando nisso, e me veio à cabeça novamente. Existe diferença entre casa e lar? Pra mim existe todo a diferença. Embora para uma existir tenha que ter necessariamente a outra, não formam uma relação simbiótica... 

Quando estamos crescendo na casa da mamãe o que mais queremos, em condições normais de temperatura e pressão, é sair de lá e correr o mundo. O ser humano não foi criado pra ficar a vida toda no mesmo lugar, isso me soa muito deprimente. Nosso planeta é enorme, com milhões de possibilidades, todos deveriam ter o direito, pelo menos a vontade de conhecê-lo inteiro. Ficar na casa da mamãe é legal, mas não deveria bastar. Ficamos adultos, saímos de lá, finalmente, e vamos para outra casa. Aqui a diferença se mostra. Casa! casa é apenas casa... formada de paredes de tijolos e concreto. Há quem ame suas casas, que criam a ilusão de um lugar de memória, que atribui ao lugar físico algo que mexe com seus sentimentos. Mas não é isso... casa é um monte de pedra que não dura para sempre. Se ela não for habitada um dia cai. Lar! isso sim é diferente... o lar é feito de convívio, de amizade, de troca de experiência, de amor, etc. A memória que atribuímos a uma casa vem disso, das relações que construímos nelas. Os grandes momentos de nossas vidas não se constituem em uma parede, mas em nossas ações, com as nossas companhias. Quando mantemos uma boa relação com nossos entes aí sim criamos um lar. Muitos moram ou moraram em repúblicas, uns em mais de uma. É possível passar por uma casa dessas, morar por quatro anos e não tirar nada de proveitoso dela; mas pode passar por outra, morar lá por seis meses e construir uma rede de relações que levará para o resto da vida. Arrisco ainda dizer que é possível constituir um lar fora de nossas casas. Ficar parado no mesmo lugar sempre é depressão. Saia pelo mundo, explore tudo o que puder, não tenha medo de arriscar. Troque de oca quantas vezes for necessário, mas tente constituir um lar em cada uma delas... lares diferentes, que ficam pra sempre naquela parte de lembranças do cérebro, pois é isso que vale a pena. Casa, como eu disse, um dia cai... lar, quando é verdadeiro, dura eternamente.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Os historiadores são muito chatos

Eric Hobsbawm

Nós historiadores somos extremamente chatos, principalmente para os não-historiadores. Todas as vezes que vou para a casa dos meus pais e fico conversando com a minha mãe sobre o que eu faço, sobre o meu projeto de pesquisa e do quanto fico feliz quando encontro novas fontes ela faz aquela cara de contente, de superinteressada e que está entendendo tudo que eu estou falando, mas no fundo eu sei que ela não está nem aí. Ela não é a única, e nem a culpo por isso. Entre nós pesquisadores por mais que compartilhamos códigos e signos nos quais nos tornam pares de um ofício ainda somos chatos. Mas o que é pior de tudo isso é conseguir explicar para que serve o que a gente faz. Para nós, em nosso narcisismo acadêmico, sabemos exatamente a serventia de nosso trabalho. Sabemos mesmo? Eu adoro o que faço, há muito tempo venho estudando a escrita da história de Diogo de Vasconcellos (Diogão para os íntimos) e me divirto muito fazendo isso. Mas em uma ocasião sentado na mesa de um bar me perguntaram o que eu estudo e tive problemas em defini-lo de forma rápida, e pior... tive problemas de pensar a utilidade disso. É claro que se ficasse maquinando aqui na cabeça com mais calma eu diria que meu trabalho contribui para se compreender a formação da identidade/memória histórica de Minas Gerais, de como se deu a relação do mineiro com seu passado, bem como o processo histórico que fomentou as várias culturas políticas estaduais ao longo do tempo e blábláblá. Isso não é nenhum tipo de crise não e nem estou discutindo o papel social do historiador, isso é outro papo, mas afinal... compreender isso muda o que mesmo? Efetivamente muda muita coisa, mas só conseguimos perceber tais mudanças a médio e longo prazo. Ser historiador não é fácil, por mais que tenhamos zilhões congressos caros para participarmos e ler o nosso trabalho para várias pessoas que estão temporariamente interessadas naquilo que vamos falar ainda sim é uma profissãozinha pra lá de solitária (que dó!). Mas isso um dia vai mudar... ainda vou chegar em um boteco na minha saudosa Pindamonhangaba, pedirei uma dose de cana e vou trocar ideia com um pingaiada encostado no balcão sobre o uso social da obra de arte na formação dos Estados nacionais modernos na Europa. Hoje o Diogão é de interesse de poucos, e não sei bem o porque que eu estudo ele, mas se eu não tiver fé naquilo que eu faço, quem vai ter? Este post ficou uma bosta... não leiam isso não!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

As instituições político-culturais da península ibérica durante a expansão ultramarina e a “descoberta” do continente americano.

Vista do Largo do Paço (Jean Baptiste Debret, c. 1830). O Paço Imperial do Rio de Janeiro é o edifício do lado esquerdo do largo. Ao fundo vêem-se, da esquerda para a direita, o Convento do Carmo, a Catedral e a Igreja da Ordem Terceira do Carmo. No centro, em primeiro plano, está o Chafariz de Mestre Valentim.



Estado, para António Manuel Hespanha, é uma entidade, que possui um poder, exclusivo, de coação legítima, e que organiza e executa os interesses públicos (HESPANHA, 1984). No entanto, a existência simples de um Estado, no sentido conceitual, não dá conta de explicar a sua real organização, assim como a sua efetiva ação para com o poder público, em prol de seus interesses. Dois tipos de organizações que foram fundamentais para uma união do território, principalmente do império marítimo português, segundo Charles Boxer, são o Senado da Câmara e as irmandades de caridade e confrarias laicas (BOXER, 2002).

Essas instituições, e suas ramificações se portam como elementos da fragmentação de poder não centralizado, ou seja, o Estado não tem um mecanismo de aglutinação do poder, nem no reino, nem nas colônias, e esses órgãos locais tinham como função suprir a falta de um poder superior que pudesse, então, estruturar a organização social. A partir disso, as relações de poder eram ainda mais divididas. Nas Câmaras existiam os homens bons, grupo formado por uma burguesia pré-capitalista, cuja função era ordenar as cidades do reino, quanto a tributações, expansão e manutenção do espaço urbano, etc. Ainda havia a representação da classe dos oficiais mecânicos, que na maioria das cidades formavam os Doze do Povo, que consiste em doze homens escolhidos para atuarem junto ao conselho municipal das cidades do reino. Ainda existiam em cidades como Lisboa, do Porto, e em algumas outras, a Casa dos Vinte e Quatro, que tinham a mesma função.

Não somente esse tipo de organização se mostra presente frente ao império. As formas de se administrar as colônias são semelhantes às de administração, guardadas as suas proporções. Estruturas essas, para o momento de expansão marítima, a partir do século XVI, podem ser estruturadas nas seguintes instituições de relacionamento e administrativa. Os vice-reis e governadores eram uma extensão do poder real, que não tinha condições de interferir diretamente na colônia. Eles muitas vezes detinham autoridade suficiente para alterar ordens régias caso essas não se aplicassem a uma localidade específica. Os donatários de capitanias, governadores gerais, e juízes seguiam a ordem hierárquica de administração, com um poder de decisões também fortes. E mais uma vez aqui se nota que o problema do distanciamento ainda interfere nesse nível de organização, isto é, mesmo com um governador-geral na colônia, tendo a América como referência devido ao seu território continental, alcançar a solução de um problema de caráter local ainda era distante a se tratar com o mais alto posto hierárquico administrativo.

Dessa forma, as Câmaras Municipais tinham como função, também, de um tribunal de primeira instância, em casos sumários, e para apelação passa-se por um Ouvidor, uma espécie de juiz da Coroa, ou pelas Relações coloniais, que tinha como função se portar como um tribunal superior. Nesse sentido, as formas administrativas nas colônias, seguindo o padrão metropolitano, também eram extremamente fragmentadas, em um momento em que os próprios “Estados” europeus ainda passam por uma estruturação interna.


Referências Bibliográficas

HESPANHA, Antônio Manuel (coord). Poder e Instituições na Europa do Antigo Regime. Lisboa: Fundação Gulbenkian, 1984.

BOXER, Charles R. O império marítimo português. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

as mãos do acaso



Recentemente ouvi uma frase que achei curiosa, mas que tem um forte conteúdo que eu discordo. A frase era algo parecido com “deixar nas mãos do acaso”. Por definição “acaso” é aquele acontecimento imprevisto, que vem com a casualidade e por vezes depende da sorte para ocorrer. Acho muito arriscado deixarmos que as coisas aconteçam conforme a vontade do acaso. Deixar as ações se resolverem a nossa revelia não me parece ser uma opção justa. Não acredito em destino, que as coisas ocorrem porque há uma força maior que guia nossa vivência... não! isso é uma idiotice. Mas eu acredito que nossas vidas podem mudar a partir de sensações. Estamos em contato com a natureza, com as pessoas e conosco mesmos e essa constante relação nos provocam reações, essas sim, inesperadas. No entanto, essas tais reações não têm nenhum tipo de poder se tivermos, mesmo que seja ínfimo, o controle de nós mesmos. O acaso só existe quando estamos no sofá de casa assistindo um jogo de futebol e de repente temos um “insight” seja lá sobre o que for. A coisa acontece ao acaso quando não temos nenhum tipo de ciência sobre ela. Mas quando se trata de vontade, de necessidade e daquilo que seremos não podemos relegar tudo ao acaso. Coitado, ele já tem coisas demais para pensar... deixar nossas vidas nas mãos dele é muita coisa. Em inúmeros casos temos que fazer escolhas que somente nós podemos fazer... o inesperado não tem nada a ver com isso. O que queremos ser, onde ir, com quem queremos conviver são escolhas nossas. Em algum momento o acaso agirá, afinal quando escolhemos algo não sabemos onde chegaremos, aí o acaso toma conta, mas para isso temos que fazer decisões prévias, devemos dar cara a tapa, devemos ouvir nossos corações e seguirmos pelo caminho que acreditarmos que será o melhor para a gente. Aventurar em terras estrangeiras em um intercâmbio incerto pode ser interessante, mas redescobrir o que tem em nosso quintal às vezes pode ser uma experiência incrível. Nem todas as decisões que um homem deve tomar para a sua própria vida têm que ser benéficas imediatamente, e muitas vezes só nos damos conta disso muito tempo depois. Avançar ou abortar uma ação deve ser uma escolha nossa e não de uma força abstrata, porque vivemos o real e não o acaso.